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Cigarrinha do milho, e complexo de enfezamentos.

22/06/2021
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Precisamos conversar sobre um dos maiores desafios agronômicos relacionados ao cultivo do milho, e muito atual. Assunto que, certamente agricultores envolvidos com este cultivo estão acompanhando, tamanha repercussão, em razão dos potenciais prejuízos. Abordaremos sobre o complexo de enfezamentos, do que se trata, como é causado e se estabelece na área de cultivo, e medidas de manejo. Traremos informações sobre a cigarrinha do milho, de nome Dalbulus maidis. Esta é a praga que transmite o complexo de enfezamentos de uma área para outra.

Enfezamentos são doenças sistêmicas, ou seja, os organismos que as causam circulam e se alojam no interior das plantas, causando interferências negativas na circulação de nutrientes e desordens hormonais. Se diz complexo, pois são três tipos de enfezamentos, e cada enfezamento é causado por um organismo distinto. Dois dos tipos, o vermelho (imagem 1) e pálido são causados por uma classe de bactérias chamadas mollicutes. O vermelho causado por fitoplasma, e o pálido por espiroplasma. E o terceiro tipo de enfezamento, o raiado fino, este é causado por um vírus (imagem 2).

Sobre os sintomas destacamos que, plantas com enfezamento apresentam redução de crescimento e desenvolvimento. Os entrenós ficam curtos. Há proliferação e má formação de espigas, estas podendo ser improdutivas. Também enfraquecimento dos colmos, com favorecimento às infecções fúngicas que resultam em tombamento. Quando a infecção inicia, a planta não cresce, daí o nome de “enfezamento”, como se a planta ficasse enfezada. Percebe se o avermelhamento, ou clareamento ou estrias claras nas folhas. Falha acentuada na granação, e grãos chochos. Tudo isto somado trará como consequência a redução drástica da produtividade. As perdas podem chegar a 100%, em função da época de infecção e da suscetibilidade da genética.

E onde entra a cigarrinha do milho no contexto dos enfezamentos? A cigarrinha do milho tem sua importância na medida que os organismos que citei a pouco tem nela o “meio de transporte”. E a cigarrinha tem no milho sua “hospedagem”, local de procriação e alimentação. Esta praga, quando se alimenta de uma planta contaminada, ingere os organismos, e a medida que vai para outra planta, tem potencial de repassar os organismos. Logo a cigarrinha é o vetor, espalha o problema. Um ponto importante é que, no caso dos enfezamentos em milho, o único inseto vetor conhecido é a cigarrinha. Não é difícil o produtor verificar a presença da cigarrinha, basta olhar no “cartucho”. Inseto pequeno, de 4 mm e coloração clara (imagem 3). A preferência sempre é por plantas mais jovens, até 6 folhas. No entanto os sintomas mais aparentes na planta, normalmente serão visualizados já na fase reprodutiva do milho.

Seguem orientações técnicas para auxiliar na redução de danos causados pelo complexo de enfezamentos. No entanto, hoje, não há como, mesmo tomando uma série de medidas, garantir ausência de enfezamento na lavoura. A cigarrinha é um inseto que, por suas características, temos muita dificuldade de controlar. Então um conjunto de medidas devem ser adotados para que tenhamos o menor impacto possível.

- Tratamento de semente com produtos específicos, registrados para o cultivo e a praga;

- Híbridos mais tolerantes, veja que falo tolerantes, pois não temos híbridos resistentes;

- Evitar novos plantios perto de plantios mais antigos, tendo uma sincronização de plantio numa determinada região;

- Realizar a colheita de milho bem-feita, de forma a minimizar os restos de grãos no campo;

- Controlar plantas voluntárias chamadas de milho guaxo ou tigueras, eliminação total (imagem 4);

- A cigarrinha depende do milho. Então se ficamos um período sem milho, quebramos seu ciclo;

 Uso de defensivos químicos e biológicos, com aplicações sucessivas auxiliam no controle da cigarrinha;

A mensagem é que o complexo de enfezamentos se trata de um problema muito sério, com enorme potencial de causar prejuízo, não sendo simples manejar. Produtor busque informações de qualidade; fique inteirado do assunto; faça um bom planejamento do cultivo, seja safra verão, bem com safrinha, pois percebam que é um conjunto de medidas que devem ser adotadas. Adotar uma ou duas medidas não será suficiente, bem como assumir que plantar um hibrido mais tolerante vai ser suficiente, também não será. Nossa equipe de consultores fica à disposição.

 

 

Por Jordanis Hoffmann

Eng. Agrônomo, Gestor Departamento de Pesquisa e

Desenvolvimento Cooperja.

 

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